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25/6/2009
Lula anuncia Plano e pede menos ideologia ambiental
Governo federal liberou R$ 107,5 bilhões e produtores haviam pedido R$ 120 bilhões, mas CNA está satisfeita

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem que a discussão sobre a preservação ambiental não seja tratada de forma ideológica, durante discurso no lançamento do Plano de Agricultura e Pecuária 2009/10. Para Lula, os adversários do Brasil no exterior adotam o discurso ideológico ao questionar programas como o de biocombustíveis. "Não metam o dedo sujo de combustível fóssil no nosso combustível limpo", afirmou.

Ao explicar a posição do governo sobre a questão ambiental, Lula recorreu à metáfora de uma mãe que é pressionada por dois filhos que desejam decisões diferentes. "Ela vai ter que tentar mediar", explicou Lula, que deixou o Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina (PR), rumo ao Rio de Janeiro, onde participaria de evento no Consulado da França.

Para o presidente, o Brasil está chegando a um ponto de equilíbrio. Ele citou como exemplo a carta compromisso que será assinada nesta semana com empresários da área de etanol prevendo melhores condições de trabalho no setor.

Na mesma linha, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, avaliou que sua Pasta adota uma postura técnica sobre a discussão ambiental. A legislação, no entanto, tem erros, segundo Stephanes, e há dois caminhos possíveis. O primeiro seria retirar da legislação o que não é necessário, mantendo o desmatamento zero no bioma amazônico e em novas áreas ou, se a sociedade decidir que não é mais possível plantar em determinadas terras - topo de morros e várzeas -, indenizar os produtores. Stephanes disse que 16 mil itens formam a legislação ambiental entre resoluções, portarias, decretos e leis.

R$ 107,5 milhões

O Plano de Agricultura e Pecuária 2009/2010 já havia sido detalhado no domingo por Stephanes e vem ao encontro da maior parte das solicitações da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO).

De acordo com Kátia, apesar de o setor ter solicitado um montante de R$ 120 bilhões para o Plano de Safra que tem início em 1º de julho e o governo ter atendido com um montante de R$ 107,5 bilhões, os recursos estão mais próximos das necessidades dos ruralistas porque houve uma redução da projeção com gastos com a safra, de R$ 158 bilhões, há aproximadamente um mês, para R$ 147 bilhões atualmente. "Revisamos a expectativa todos os meses e verificamos que a redução com os custos deve ser de 15% ante a primeira estimativa", afirmou a senadora.

A senadora está tão reticente com os trâmites existentes entre o anúncio do Plano de Safra e a chegada dos recursos no interior dos Estados, nas mãos dos agricultores e pecuaristas, que afirmou que só fará um balanço do plano daqui a um mês. "Estou com boas perspectivas e não quero fazer alarde, chororô, nem crítica antecipada, mas será que vai tirar de verdade o produtor do buraco?", questionou, a respeito do fluxo de tomada de dinheiro pelo agricultor.

Amazônia

O presidente Lula disse que o governo quer tratar os agricultores da Amazônia como "parceiros" para que se tire "proveito" da conservação da floresta. Ele disse que quer firmar uma "lógica de procedimentos" entre a administração federal, governos dos Estados, prefeituras e produtores da região. "Porque ela (a Floresta Amazônica) é uma vantagem comparativa extraordinária para os produtos brasileiros."

 


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