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Bancada pode obstruir votações para garantir os preços mínimos na agricultura
Sionei Ricardo Leão
Os ruralistas ameaçam obstruir as votações no Congresso Nacional no início dos trabalhos em 2010, caso o Governo Federal não garanta mais recursos aos preços mínimos da pecuária e da agricultura brasileira. "Uma área que representa 40% do PIB (Produto In- terno Bruto) não pode abrir mão de ter dinheiro suficiente para suprir suas necessidades", ameaça o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária do Congresso Nacional, deputado Valdir Colatto (PMDB-SC).
A bancada pressionou o relator-geral do orçamento da União, em 2009, Geraldo Magela (PT-DF), até o último momento que antecedeu a votação do projeto. O segmento queria a alocação de ao menos R$ 2,5 bilhões para a política de preços mínimos, mas foram inseridos apenas R$ 1,7 bilhão. Parte desse valor, 100 milhões, será utilizada em ações sanitárias animal e vegetal.
"No último instante, decidimos fazer um acordo de adiar para 2010 a discussão para não ficarmos com a pecha de termos atrapalhado", disse Valdir Colatto. "O relator não é o maior culpado disso. O culpado é o governo que não faz a política por meio da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias)", complementa outro ruralista, Carlos Melles (DEM-MG).
Os ruralistas contam com 237 deputados federais e 35 senadores. "A saída é que o governo resolva o preço do dólar, que está muito baixo ou termos mais condições no mercado interno para vender os produtos". ameaça Valdir Colatto.
SAIBA +
O Brasil lançou a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) em 1996. Esse mecanismo destina-se à redução das oscilações de preços dos mercados agrícolas. Por ela, são adquiridos estoques, oferecidos empréstimo e financiamentos. Além de equalizar valores, a PGPM garante as safras sazonais e de verão e a agricultura familiar |